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Ela tinha pouco mais de 20 anos quando deu conta de que talvez, em um futuro breve ou não, poderia viver tudo aquilo que sonhara. Não tinha planos mirabolantes, nem sonhava com grandes coisas, como a maioria de suas amigas. Ela queria ser uma profissional bem sucedida, ter sua própria família, com direito a cachorros e papagaios, uma casa refúgio, um marido que pudesse ser um eterno amigo e namorado e filhos em que ela pudesse ensinar tudo aquilo que havia aprendido. Era isso. Esse era basicamente o plano de vida que aquela menina tinha em sua mente.

Alguns desejos se concretizaram. Outros, ainda em processo. Outros, nem sinal ainda. Ela aprendeu que uma das melhores coisas na vida chama-se: tempo. Passar por esse processo não é fácil. Assim entendeu aquela menina, que levava sempre consigo, um sorriso no rosto e uma pitadinha de esperança, mesmo sem saber como.

Aí veio um estalo. De repente ela percebeu que o tempo havia passado rápido demais. “Como assim?” Pensava ela, afinal de contas, havia percebido que num estalar de dedos, já tinha alcançado seus 32 anos de vida. Ela tinha quinze, dias atrás. Vinte, quando achou que já estava ficando com idade suficiente para fazer as suas próprias escolhas. Mas os trinta??? Aos trinta ela não imaginara ainda.

Ela acreditara que de um modo ou de outro, teria que correr. Não contra o tempo, afinal de contas, ele mesmo já é encarregado de fazer cumprir o seu papel. Ela tinha que correr ao sonhar com uma nova vida. Ainda acreditava que, apesar de todas as dificuldades, estava mais forte e preparada para enfrentar e aproveitar cada momento que viria a seguir.

De repente, ela começou a entender que os sonhos delas eram pequenos diante do que Deus tinha e queria para ela. A vida foi posta de cabeça para baixo, para que a casa fosse arrumada. Deus havia permitido todas as coisas para que tudo fosse posto exatamente no lugar. Algumas coisas foram tiradas, outras acrescentadas e outras, encontradas.

Aquela menina tinha percebido o quanto era forte. O quanto era linda. O quanto podia ir mais além.

Ela ainda tem sonhos bobos. Quer correr descalça na grama. Brincar com seus filhos no tapete da sala. Andar de mãos dadas com o homem que Deus vai dar a ela. Ainda sonha com grandes momentos com suas amigas. Ainda quer chocolate, pipoca, um filme e uma eterna companhia. Quer casar, ter filhos (na verdade, mais um) e de certa forma, cumprir seu papel aqui nessa terra.

Ela entendeu que o amadurecimento vem com o tempo. Que a vida segue seu curso. Que as misericórdias de Deus sempre se renovam.

Entendeu que vai ser feliz. E que a felicidade na verdade, é o caminho…

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Tags : destaqueReflexão;
Renata Vannier

The author Renata Vannier